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title: "Remuneração de Executivos nas AGOs 2026: O Panorama de 2025"
description: Análise das AGOs 2026 revela como foi a remuneração de executivos em 2025 e quais tendências devem intensificar os debates sobre ICP e ILP.
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# [Remuneração de Executivos nas AGOs 2026: O Panorama de 2025](https://blog.pris.com.br/remuneracao-de-executivos-nas-agos-2026-o-panorama-de-2025)

 Escrito por [Análise Pris](https://blog.pris.com.br/author/análise-pris) | 09/04/26 16:25

Abril chegou e com ele a temporada das **Assembleias Gerais Ordinárias (AGO)**. Para **CHROs**, **conselheiros** e **investidores institucionais**, este é o período mais crítico do ano em matéria de governança de remuneração.

Pela [Lei das S.A. (art. 152)](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6404consol.htm) e pela regulação da CVM, toda companhia aberta é obrigada a submeter anualmente à AGO a **proposta de remuneração global** (acompanhada do item 8 do formulário de referência) ou **individual dos administradores**, incluindo Diretoria Estatutária, Conselho de Administração e Conselho Fiscal para deliberação dos acionistas, podendo a mesma ser rejeitada, dai a criticidade do tema.

Extraímos e analisou os dados de convocações de AGO 2026 de 129 companhias abertas publicadas até 03/04/2026, e com previsão de assembleia ainda esse mês. Aqui estão os principais achados.

## **O Retrato de 2025: O Que Foi Pago**

**O que é RPM?** — *Remuneração por Membro = remuneração total da Diretoria Estatutária ÷ número de membros remunerados no período.*

Permite comparar empresas de portes diferentes numa base comum: o custo médio por executivo. Os percentis **P25/P50/P75 mostram a dispersão das empresas dentro de cada setor** — metade delas está entre P25 e P75, e o P50 (mediana) é o valor central da distribuição.

**Alimentos (R$ 6,9M)** e **Bancos (R$ 5,2M)** lideram a mediana setorial. Na outra ponta, **Saneamento** apresenta simultaneamente a menor mediana (R$ 1,7M) e a maior dispersão da amostra P25 de R$ 0,4M contra P75 de R$ 4,9M reflexo de um setor que mistura estatais regionais com concessões privadas de grande porte.

**Telecomunicações** e **Comércio** têm os maiores spreads interquartis proporcionais, sinalizando mercados heterogêneos onde empresas de portes e modelos de negócio muito distintos convivem na mesma classificação. **Transp. e Logística**, ao contrário, apresenta intervalo P25P75 comprimido em torno da mediana setor mais homogêneo no nível de remuneração entre as empresas de capital aberto.

## **Para além da Diretoria: CA e CF**

A Diretoria concentra o maior escrutínio, mas Conselho de Administração e Conselho Fiscal também são avaliados pelo proxy advisors:

## **Previsto vs. Realizado: A Régua da Aprovação**

Em praticamente todos os setores, a remuneração efetivamente paga em 2025 ficou **abaixo do teto aprovado em AGO**. A mediana geral de desvio é de **−13%**.

**Têxtil e Vestuário** é o único setor com desvio praticamente nulo (−0,1%) executivos consumiram, em mediana, quase 100% do teto aprovado. **Farmacêutico** (100% das empresas abaixo do previsto) e **Educação** (85,7%).

## **Casos extremos (anonimizados)**

Quando olhamos para casos individuais, a amplitude é muito maior do que a mediana setorial sugere. Quinze empresas apresentam desvio superior a 50% em módulo:  
**Desvios positivos extremos:** os casos de +184% (Comunicação e TI) e +453% (Bancos) os desvios vieram da parcela variável e em uma mudança estrutural do pacote de remuneração da diretoria estatutária.

## **Paymix: Como o Dinheiro É Dividido por Setor**

Não basta saber quanto se paga, é preciso entender **como** se paga. A composição da remuneração realizada em 2025 revela as apostas estratégicas de cada setor em atração, retenção e alinhamento de interesses com os acionistas.

*Mediana dos percentuais individuais de cada empresa por setor · empresas com cobertura ≥ 90% dos componentes declarados · Outros inclui benefícios, previdência e encargos*

**Petróleo** e **Gás lidera em ILP (40%)**, único setor onde o longo prazo é o maior componente individual na empresa mediana, reflexo de modelos de remuneração típicos de indústrias com horizonte de retorno longo e ciclos de capital intensivo.

**Telecomunicações aparece em segundo lugar em ILP (32%)**, com mix relativamente equilibrado entre os três componentes principais. **Agricultura (20%)** e **Têxtil e Vestuário (20%)** completam o grupo de setores com presença relevante de ILP na mediana.

**Quatro setores apresentam ILP mediano igual a zero** — Energia Elétrica, Saneamento, Máquinas e Equipamentos e Bancos, indicando que a maioria das empresas nesses segmentos não utiliza remuneração baseada em ações como componente relevante. O ILP, quando existe, é praticado por uma minoria e não caracteriza o setor na empresa típica.

**Construção Civil registra o maior ICP da amostra (50%)**, seguida de **Transporte e Logística (53%)**. Ambos os setores concentram [incentivos no curto prazo (ICP)](https://blog.pris.com.br/icp-entenda-o-significado-e-saiba-tudo-sobre-a-remuneracao-1), provavelmente atrelados a entregas de projetos e metas operacionais de ciclo anual.

**Bancos, contrariamente à percepção de mercado, é o segundo setor mais fixo-intensivo da amostra (66% fixo)** quando se observa a empresa mediana. O resultado reflete a estratégia de programas de [Partnership](https://blog.pris.com.br/partnership-ilp-quando-usar-essa-ferramenta-dentro-da-sua-logica-de-governanca-cultura-e-remuneracao) onde a parcela de Incentivo de Longo Prazo não é interpretada como remuneração para fins de aprovação da remuneração global.

## **O Que Está Sendo Proposto para 2026**

Se em 2025 a maioria das companhias pagou abaixo do teto aprovado, o que propõem para 2026? Em praticamente todos os setores, a resposta é: **aumentos expressivos**.

A variação mediana geral entre realizado 2025 e proposto 2026 é de aproximadamente **+30%** (mediana dos ratios individuais) muito superior à inflação do período. Isso levanta a questão que os proxy advisors certamente vão fazer: **quais argumentos sustentam esse reajuste?**

Para **Bancos** (+71%) e **Transporte** (+49%), o escrutínio dos acionistas nas AGOs de 2026 será inevitável.

## **Conclusão**

Este artigo apresentou o **panorama da remuneração executiva em 2025** e as principais perspectivas já embutidas nas propostas levadas às Assembleias Gerais Ordinárias de 2026. Os dados revelam um cenário em que, apesar de a remuneração realizada ter ficado majoritariamente abaixo dos tetos aprovados, as companhias chegam às AGOs de 2026 com propostas de aumentos relevantes, o que naturalmente desloca o foco do debate para além dos valores absolutos.

Nas AGOs, os maiores questionamentos tendem a se concentrar nos **componentes da remuneração**: como os incentivos de curto e longo prazo são estruturados, quais métricas efetivamente condicionam o pagamento variável e até que ponto os planos aprovados refletem, na prática, alinhamento com performance e criação de valor.

É a partir desse contexto que este estudo dá início a uma **série de conteúdos** dedicada a aprofundar os principais blocos da remuneração executiva analisados nas assembleias.

**Leia o próximo artigo da série: **[AGO 2026: Incentivos de Curto Prazo, Metas e Valores Pagos ](https://blog.pris.com.br/ago-2026-incentivos-de-curto-prazo-metas-e-valores-pagos)

*Este artigo utiliza dados extraídos pela plataforma PRIS a partir de documentos públicos disponibilizados pela CVM, incluindo Formulários de Referência e convocações de AGO 2026. A amostra contempla 129 companhias abertas brasileiras, com dados disponíveis para a Diretoria Estatutária. Informações metodológicas, critérios de filtragem e detalhes sobre o tratamento de desvios individuais — apresentados de forma anonimizada — estão disponíveis mediante solicitação.*

*<https://conteudo.pris.com.br/papo-pris-ep-02-oficio-circular>*

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