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title: "Black-Scholes na prática: como as empresas utilizam o valor justo"
description: Como empresas aplicam o valor justo de opções via Black-Scholes na contabilidade e na definição estratégica de outorgas em planos de incentivo.
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# [Black-Scholes na prática: como as empresas utilizam o valor justo](https://blog.pris.com.br/black-scholes-na-pratica-como-as-empresas-utilizam-o-valor-justo)

 Escrito por [Análise Pris](https://blog.pris.com.br/author/análise-pris) | 24/10/25 16:46

Na prática, observam-se duas abordagens predominantes para o uso do valor justo em programas de opções: uma voltada exclusivamente à contabilidade e outra que o utiliza tanto para fins contábeis quanto para o dimensionamento da outorga.  

Essa distinção é estratégica e impacta diretamente a forma como os planos são estruturados e percebidos. 

## Abordagem 1: valor justo como referência contábil 

Nesta abordagem, a empresa define a quantidade de opções com base no preço da ação na data da outorga. O valor justo calculado pelo modelo Black-Scholes é utilizado exclusivamente para atender às exigências contábeis, como as previstas no CPC 10 e IFRS 2. 

**Exemplo:** uma empresa deseja conceder um valor alvo de R$ 100.000 a um executivo. 

- Valor-alvo da outorga: R$ 100.000 

- Preço da ação no dia: R$ 20,00 

- Valor justo (Black-Scholes): R$ 8,00 

**Cálculo da outorga:** 

R$ 100.000 ÷ R$ 20,00 = **5.000 opções concedidas** 

**Despesa contábil registrada:** 

5.000 opções × R$ 8,00 = **R$ 40.000** 

**Implicação:** Há uma desconexão entre o valor percebido da outorga (R$ 100.000) e o valor que será reconhecido como despesa contábil (R$ 40.000). Essa abordagem prioriza o valor de face do instrumento, tratando o custo contábil como uma consequência separada. 

## **Abordagem 2: valor justo como base para outorga e contabilidade** 

Nesta metodologia, o valor justo é considerado o custo real da concessão e serve como base tanto para o dimensionamento da outorga quanto para o registro contábil. A quantidade de opções é calculada dividindo-se o valor-alvo pelo valor justo. 

**Exemplo: **uma empresa deseja conceder um valor alvo de R$ 100.000 a um executivo. 

- Valor-alvo da outorga: R$ 100.000 

- Valor justo (Black-Scholes): R$ 8,00 

**Cálculo da outorga:** 

 R$ 100.000 ÷ R$ 8,00 = **12.500 opções concedidas** 

**Despesa contábil registrada:** 

12.500 opções × R$ 8,00 = **R$ 100.000** 

**Implicação:** 

A despesa contábil reflete exatamente o valor-alvo da remuneração, promovendo alinhamento entre custo e benefício percebido. 

## **Abordagem 3: foco no potencial de ganho futuro (Payoff Esperado)** 

Nesta abordagem, a empresa projeta um cenário de valorização futura da ação para definir a quantidade de opções. O cálculo é feito com base no ganho esperado por opção (*payoff*), considerando uma meta de preço. 

**Exemplo: **para ilustrar o risco potencial, vamos ajustar a meta. 

- Valor-alvo de ganho: R$ 100.000 

- Preço da ação (strike): R$ 20,00 

- Preço-alvo futuro: R$ 22,00 

- Payoff esperado por opção: R$ 2,00 

**Cálculo da outorga:** 

 R$ 100.000 ÷ R$ 2,00 = **50.000 opções concedidas** 

**Despesa contábil registrada:** 

 50.000 opções × R$ 8,00 = **R$ 400.000** 

**Implicação:** 

 Embora essa abordagem tenha forte apelo motivacional, ela carrega um risco financeiro elevado. O número de opções concedidas pode ser excessivo, resultando em uma despesa contábil muito superior ao ganho originalmente planejado. No exemplo, para um ganho-alvo de R$ 100.000, a empresa reconheceria uma despesa de R$ 400.000. 

## **Qual método é o mais adequado?** 

Não existe uma resposta universal. A escolha depende da filosofia de remuneração da empresa, de sua estratégia de retenção e dos objetivos do plano de incentivo.  

O essencial é que os responsáveis pelos programas de ILP compreendam as diferenças entre as abordagens, suas premissas e implicações.  

Com esse conhecimento, é possível tomar decisões mais conscientes e alinhadas à realidade financeira e estratégica da organização. 

## **Como cada variável impacta o valor justo da opção** 

A tabela abaixo resume os principais fatores que influenciam o valor de uma *call option* e a lógica por trás de cada movimento: 

## **Conclusão** 

A aplicação prática do modelo Black-Scholes vai muito além da contabilidade. Ela influencia diretamente o desenho dos planos de incentivo, a percepção de valor pelos beneficiários e o impacto financeiro para a empresa.  

Ao entender as diferentes abordagens e os fatores que compõem o valor justo, as organizações podem estruturar programas mais eficazes, transparentes e alinhados à sua estratégia de longo prazo. 

 

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