A pergunta costuma surgir em reuniões de orçamento ou no Conselho de Administração: “Estamos gastando milhões em ações e opções para executivos. Qual é o ROI disso?”
Para o CFO, habituado a calcular o retorno sobre o investimento de uma nova fábrica ou de um software, a resposta relacionada aos Incentivos de Longo Prazo muitas vezes soa vaga. Fala-se em retenção, alinhamento e cultura de dono, mas o número na última linha da planilha raramente aparece.
Esse contexto alimentou um mito no mercado: a ideia de que o retorno dos Incentivos de Longo Prazo é intangível ou impossível de isolar.
Medir o sucesso de um plano de incentivos requer rigor técnico para capturar custos menos visíveis e visão estratégica para mensurar retornos que não se materializam de forma imediata no EBITDA.
Antes de mostrar como calcular, é preciso validar por que é tão difícil. Ao contrário de uma máquina que você liga e produz peças, o ILP atua sobre o comportamento humano e o mercado de capitais.
O Ruído Exógeno: Se a ação da empresa subiu 20%, foi por causa do plano de incentivos ou porque o juro do país caiu? Isolar a variável "esforço do executivo" da variável "sorte de mercado" é o maior desafio estatístico.
Dito isso, as empresas mais maduras do Brasil já superaram essa barreira. Elas não buscam um número mágico único, mas um Framework de Retorno composto por três dimensões.
Para chegar a uma resposta defensável perante o Conselho, sugerimos quebrar o ROI em três camadas complementares:
Aqui olhamos para métricas duras. É a camada mais óbvia, mas onde se cometem mais erros de atribuição.
Esta é a camada mais subestimada, mas frequentemente a que paga a conta do plano.
Para que o cálculo do ROI funcione, o "I" (Investimento) precisa ser realista. A maioria das empresas considera apenas o valor da outorga, mas o buraco é mais embaixo.
Um cálculo honesto de custo deve incluir:
O Custo Contábil (IFRS 2): O Fair Value das opções ou ações. Atenção: Se o seu plano usa métricas de mercado (como TSR ou barreiras de preço), a precificação exige modelos complexos como Monte Carlo. Ignorar isso pode subestimar drasticamente sua despesa contábil.
A Diluição: Para empresas abertas ou scale-ups, a emissão de novas ações dilui os sócios atuais. Isso é um custo societário real.
É possível calcular o ROI de um plano de ILP? Sim.
Mas não espere que o resultado venha em uma célula única de Excel dizendo "15%". O retorno do ILP é uma narrativa composta por dados financeiros (nossa ação performou melhor que os pares?), dados organizacionais (retivemos quem importava e economizamos milhões em reposição?) e dados operacionais (as metas de longo prazo foram batidas?).
Empresas que conseguem responder "sim" a essas três perguntas não precisam justificar o plano como "despesa". Elas provam, com dados, que o ILP é uma das alavancas de investimento mais eficientes do negócio.
Se a sua empresa ainda olha para o ILP apenas como "custo de folha", talvez o problema não esteja no plano, mas na falta de método para enxergar o valor que ele gera.